segunda-feira, 27 de agosto de 2007
imagem primeira
Sabe o que tenho para fazer agora? Fingir. Fingir que sou bonita, fingir que tenho voz e, o que eu mais gosto, fingir que tem alguém me olhando. Nunca estou sozinha, sempre tem alguém para quem destino uma cruzada de pernas ou uma lenta lambida nos lábios. Assim me sinto quente. Hoje notei que finjo que não me importo com as coisas que finjo ter. Resumo-me como um objeto. Definição complexa, levando em conta que transfiro para mim o conceito de coisa e não de coisa-humana. Talvez eu não finja tanto quanto julgo, acabo me tornando minha própria mentira. Melhor assim, ser uma coisa. E anônima, sem culpa. Pois hoje dediquei minhas pernas e lábios ao espelho. Até mesmo minhas costas foram oferecidas. E cada parte do meu corpo foi necessária para consumar meus próprios desejos. Boca seca, mas um fluido cálido não secava, enquanto o prazer escorria. Desviei meu olhar dela, senti outras partes excitadas. Era confuso aquele pulsar, os músculos enrijecendo; cada parte precisava de um toque, no início lento, depois mais violento. De repente um nervosismo me desconcentrou. Mas não quis parar, toquei-a com extremo tesão e olhei-a; senti novamente que queria ficar somente com ela naquele momento. Perdemos o controle entre gritos e rápidos movimentos. Ri-me enquanto gemia. Ela era gostosa, gostosa demais. Naquela hora não queria que ninguém mais a visse, somente eu e ela entre carícias e gemidos. Inconseqüentes. Ofegantes. Sem um final previsto. Êxtase incontrolável. Cheguei ao ponto em que não pude mais pensar, queria apenas penetrar naquela bela flor que eu sabia que era minha naquele instante e que sempre seria enquanto eu quisesse tocá-la.
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